sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

DESENCANTO - Manuel Bandeira (1886-1968)

Eu faço versos como quem chora
de desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábio a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

- Eu faço versos como quem morre.

Teresópolis, 1912.

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