A rua ao meu redor fremia num rugido.
Longa, esbelta, de luto, uma dor majestosa,
Uma mulher passou, a sua mão faustosa
Levantando, agitando a barra do vestido.
A perna de estatuária - ágil, nobre, atrevida.
Eu, eu bebia, em desvairada crispação,
No seu olho, céu claro ou germe de tufão,
O dulçor que fascina e o prazer que liquida.
Clarão...noite depois! - Fugitiva beldade
De um olhar que me fez renascer de repente,
Não te verei jamais senão na eternidade?
Além, bem longe! É tarde! Ou nunca, certamente!
Pois ignoro aonde vais, e ignoras aonde irei -
Ó tu que eu amaria, ó tu que o sabes bem!
(Trad. Renato Suttana)
